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Porque devem os operadores dar as boas vindas à banda larga assente em fibra ótica

quinta, 31 maio 2012 06:00   Hartwig Tauber, diretor-geral do FTTH Council Europe

Hartwig_Tauber_Director_GeneralPor todo o mundo as empresas, os governos e os consumidores procuram, cada vez mais, usufruir das oportunidades que o acesso rápido à informação oferece. Então porque é que os operadores continuam a apostar no desenvolvimento das suas redes de cobre, não investindo em novas redes de fibras óticas de alta velocidade, que garantem o seu futuro e proporcionam essas oportunidades?

 


Do ponto de vista dos operadores, continuar a investir em redes de cobre pode parecer uma opção lógica. Estes tendem a proteger as suas redes originais, nas quais têm investido durante várias décadas. Neste contexto, têm todo o interesse em manter os lacetes locais em cobre, já que constituem uma fonte de receita mensal fixa. A substituição destas ligações implicaria novos investimentos em planeamento, engenharia, construção, testes e manutenção. Além disso, manter as redes de cobre permite aos operadores controlar a desagregação do lacete local e, consequentemente, a concorrência. Por outro lado, os acionistas esperam um retorno dos seus investimentos mais rápido do que aquele que os investimentos em fibra podem proporcionar.


Contudo, estes são argumentos de curto prazo. Para responderem às necessidades dos nossos dias, as redes de cobre exigem atualizações dispendiosas, bem como elevados custos operacionais relacionados com o consumo de energia, em serviços e por aí adiante. Mas a realidade é que esta tecnologia está ultrapassada e dificilmente consegue responder às atuais exigências e especificidades das Redes de Acesso de Nova Geração - já para não falar nos desenvolvimentos futuros de curto e médio prazo. Ainda que as redes de cobre possam deixar os acionistas satisfeitos, pelo menos por agora, a médio e longo prazo, os dividendos que poderão advir dos investimentos nas redes de fibra ótica serão substancialmente superiores. Os estudos mais recentes demonstram que o custo da implementação de redes de fibra ótica é significativamente mais baixo do que os anteriormente estimados. Adicionalmente, modelos alternativos de financiamento, tais como as parcerias público-privadas e os projetos municipais, constituem novas possibilidades à concretização da implementação das redes de nova geração, sem a dependência do modelo tradicional de participação accionista.


Numa primeira abordagem, os custos das redes de fibra podem parecer proibitivos. A única forma de se ter uma perceção real do custo total do investimento é elaborando um plano de negócios robusto. Este plano de negócios deve comparar, ano a ano, ao longo de uma década, os custos com as atualizações das redes de cobre, versus o investimento em FTTH (Fiber To The Home), que tenha por base um plano de negócios a 10 anos. Vale a pena reter alguns dados que nos ajudam a compreender melhor esta equação: tomemos como exemplo a Alemanha, onde o investimento total efetuado pelos operadores de telecomunicações no período compreendido entre 1998-2008, incluindo os investimentos nas redes móveis (3G) e nas actualizações das redes fixas, se situou nos 82.7 mil milhões de Euros. Um investimento desta magnitude poderia perfeitamente ter sido a base para a construção de redes de Nova Geração – a única alternativa capaz de responder às exigências emergentes de largura de banda.


Não é assim de estranhar que os operadores das redes de cobre não estejam empenhados em comunicar os benefícios da alta velocidade aos seus clientes, quer se trate de empresas ou de particulares. No entanto, o aumento da concorrência encorajado pela UE e pelos governos dos países da zona Euro, as mais recentes decisões legislativas e os planos nacionais de Banda Larga, poderão muito em breve forçar os operadores a mudarem a sua posição. Os apoios financeiros têm um papel importante na migração para as redes de nova geração, sendo a injeção de 7,2 mil milhões de euros por parte da Comissão Europeia, há muito reclamada pelos operadores, o factor chave que fomentará esta migração para redes FTTH.


Os apoiantes do cobre poderão defender que as atuais redes de cobre já não são as mesmas de há décadas. É verdade que a sua atual capacidade excede vastamente a das gerações anteriores. Contudo, os níveis de velocidade que oferecem são insuficientes para responderem à necessidade dos consumidores, sobretudo se tivermos em conta que todos os utilizadores querem, ao mesmo tempo, o máximo de velocidade possível. Por outro lado, quando se trata de transmitir grandes quantidades de dados entre longas distâncias, como por exemplo ficheiros de vídeo, não se pode sequer falar em concorrência. A perda de dados nas redes de fibra é excecionalmente baixa e as interferências indesejadas entre os canais/circuitos de transmissão são inexistentes.

Adicionalmente há cada vez mais aplicações, como o cloud computing, que exigem simetria na largura de banda, e esta é uma característica intrínseca da fibra. As redes de cobre simplesmente não têm capacidade para permitir uploads e downloads à mesma velocidade e com a mesma qualidade. Este facto representa uma ameaça efetiva à disponibilização dos serviços na área da saúde e da educação, que a sociedade de amanhã vai simplesmente exigir. Estes serviços serão condição obrigatória para a manutenção dos níveis de qualidade de vida das populações, que
estão em rápido crescimento e com uma esperança de vida cada vez mais elevada.


Continua a aumentar a procura de novos tipos de serviços e com níveis de qualidade superior, bem como o número de dispositivos ligados à rede, quer nas zonas urbanas quer nas zonas rurais. Apesar de a Europa estar a meio do caminho para a disseminação das Redes FTTH, estudos recentes demonstram que a fibra está a crescer mais rapidamente do que nos anos anteriores. A realização deste objectivo não depende inteiramente daquilo que os clientes querem, mas em grande parte da estratégia dos operadores. Com a fibra, um operador médio de telecomunicações pode aumentar a receita média por cliente (ARPU) em 46%, tendo-se registado mesmo níveis superiores a 93%.


O inequívoco crescimento da procura de fibra por parte do mercado oferece aos operadores de telecomunicações a oportunidade de aumentarem significativamente o seu ARPU – quiçá tendo mesmo o apoio dos financiamentos da UE.


A fibra dispõe de maior capacidade, de níveis mais elevados de resistência e de segurança que são impossíveis de igualar, ocupa menos espaço e – ainda que implique investimentos iniciais avultados nos equipamentos activos – é muito mais barata do que o cobre. Na realidade, não há nenhuma razão para adiar o inadiável.

Hartwig Tauber, diretor-geral do FTTH Council Europe

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