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Preservação digital assegura o futuro da informação

quinta, 21 novembro 2013 11:47   Miguel Nunes, diretor BPO da Xerox Portugal

Miguel Nunes, diretor BPO da Xerox Portugal"À medida que o conteúdo digital cresce exponencialmente e a obsolescência digital acelera, a preservação vai tornar-se uma grande preocupação para organizações com grandes conjuntos de dados", escreve o diretor de BPO da Xerox Portugal, Miguel Nunes, num artigo de opinião para o Fibra.

"No passado, toda a informação importante era registada de maneira a perdurar no tempo, tábuas de argila, que serviam para registar o que deveria durar, e que ainda hoje existem. Atualmente, estamos perante uma constante evolução dos sistemas de informação, os ambientes informatizados mudam com frequência e passam a ser rapidamente obsoletos tornando qualquer conteúdo digital dependente de um ambiente específico que num dado momento pode estar em risco de ficar inacessível e desta forma perder-se. Este processo é conhecido como obsolescência digital.

De fato, as tábuas de argila serviam para preservar a informação considerada mais importante na altura e que merecia o esforço de ser gravada em suportes mais exigentes, sendo o restante escrito em material mais perecível, como o papiro. A sua incrível preservação, mesmo que não tenha sido originalmente intencional, é um efeito secundário natural da consideração que recebeu no momento da sua criação.

E quanto à preservação de bens intelectuais criados atualmente? Hoje em dia temos vários tipos de formato, como o email, as imagens, os vídeos, etc., mas não existe nada equivalente aos objetos tangíveis do passado, como as placas em pedra ou os livros, uma vez que no mundo digital há sempre uma dependência, seja de software ou hardware, para que se possa aceder ao conteúdo. É preciso criar formas de contornar esta situação e garantir que a informação importante permanecerá intacta e é salvaguardada no futuro.

A obsolescência digital é rápida, omnipresente e difícil de controlar, ameaçando todos os aspetos da cadeia de descodificação, desde suportes para os quais já não existe leitor, quem investiu nos primeiros sistemas de gravação de discos ópticos já passou por isto, a formatos de dados ultrapassados ou para os quais o software desapareceu, ou sistemas operativos que foram retirados. Quando o conteúdo digital é produzido, é necessário tomar decisões irrevogáveis sobre se deve ser enviado para o futuro e em que formato. De outra forma será perdido para sempre.

À medida que o conteúdo digital cresce exponencialmente e a obsolescência digital acelera, a preservação vai tornar-se uma grande preocupação para organizações com grandes conjuntos de dados. Os sistemas de informação do futuro precisam de estar atentos à preservação, desde a sua conceção, para garantir o acesso a longo prazo e a integridade de bens económicos, culturais e intelectuais. Para tornar isto possível, os objetos digitais do futuro, que serão independentes em termos de infraestrutura, vão tornar-se parte de um ecossistema rico em informação e auto descritivo de tudo o que é essencial saber sobre o próprio: o seu propósito, comportamento desejado, contexto em que é criado, experiência de utilizador, entre outros.

Eventualmente estas descrições vão viajar para o futuro onde sistemas de informação ainda desconhecidos vão precisar de dar-lhes sentido, independentemente do hardware e software usados na altura em que o conteúdo foi inicialmente criado e usado.

É uma alteração importante na preservação: já não preservamos o objeto físico inicial, mas antes representações abstratas do mesmo que podem ser reconstruídas num futuro tecnológico imprevisível. Esta mudança é um grande desafio e, possivelmente, a preservação digital vai tornar-se num efeito secundário natural e transparente da gestão adequada da informação e dados.

Fonte: Fibra

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