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NEC aposta numa sociedade da informação mais friendly

terça, 12 novembro 2013 12:21   João Paulo Fernandes, diretor-geral de Vendas e Marketing da NEC

João Paulo Fernandes, diretor-geral de Vendas e Marketing  da NECTirar partido da inovação para ajudar a construir uma sociedade da informação mais amiga das pessoas e do meio ambiente é um dos pilares da estratégia da NEC, afirma ao Fibra o diretor-geral de Vendas e Marketing em Portugal, João Paulo Fernandes.

Fibra | Qual é atualmente a estratégia da NEC em Portugal?

João Paulo Fernandes | A estratégia da NEC em Portugal em nada difere daquela que a NEC formulou para o seu negócio a nível global, embora com as naturais adaptações à realidade e necessidades concretas do mercado português.

A estratégia global da NEC pode ser entendida através da sua visão de negócio, que se resume da seguinte forma: "Ser uma empresa líder a nível global que tira partido do poder da Inovação para ajudar a construir uma Sociedade da Informação mais amiga das pessoas e do meio ambiente."

Esta visão resulta da constatação de que, até 2050, é previsto um crescimento da população mundial de 7 para 9 mil milhões de pessoas, o qual irá provocar um enorme aumento na procura de recursos de todos os tipos, tais como aumentos de 80% no consumo de energia, 60% no consumo de água e 70% no consumo de alimentos, bem como uma enorme pressão adicional sobre o meio ambiente, com um aumento de até 50% na emissão de gases de efeito de estufa. A acrescer a isto, prevê-se ainda que aumente de 50% para 70% o total de população a residir em meio urbano, com o consequente aumento de pressão sobre as infraestruturas sociais necessárias para suportar esta concentração populacional nas cidades.

Nestas condições, face à realidade de hoje, será necessário evoluir muito na forma como utilizamos os recursos disponíveis à sociedade para assegurar a sua sustentabilidade e responder ao previsível crescimento populacional, o que, na visão da NEC, só será possível mediante uma intensa utilização de Inovação, que permita fornecer soluções que otimizem a utilização dos recursos e reduzam o impacto negativo dessa utilização sobre o meio ambiente.
De acordo com esta visão, a NEC está, neste momento, focada no desenvolvimento de soluções inovadoras que permitam sustentar a vida em sociedade de um número de pessoas cada vez maior, em áreas tão diversificadas como as Redes de Nova Geração, com destaque para as novas soluções de Virtualização de Redes (SDN/NFV), Cloud Computing, Segurança Publica, Cidades Inteligentes e Energia (Smart Grid).

Fibra | Quais os produtos em que aposta mais?

JPF | Em Portugal, a NEC tem vindo a centrar a sua atividade, com assinalável sucesso, nas três primeiras áreas referidas no ponto anterior: Redes de Nova Geração, com destaque para as novas soluções de Virtualização de Redes (SDN/NFV), Cloud Computing e Segurança Pública.

Neste momento, de forma autónoma ou em parceria com operadores de telecomunicações, a empresa tem referencias ou pilotos a decorrer em cada uma destas áreas, de entre os quais destacaria os seguintes projetos:

- Prova de conceito relativa à utilização de redes definidas por software (SDN) em ambiente de Centro de Dados.

- Piloto na utilização de pequenas células e redes heterogéneas para aumento da cobertura e capacidade das redes móveis de banda larga.

- Serviço Cloud "Software-as-a-Service" (SaaS), com a disponibilização de múltiplas aplicações de negócio ao mercado empresarial, em particular às PME, num regime de licenciamento mensal e "pay as you use".

- Solução biométrica de armazenamento e identificação com base em impressões digitais, para suporte à emissão e renovação do Cartão do Cidadão.

Fibra | O que é a tecnologia SDN e o que é que ela permite ao consumidor final?

JPF | A tecnologia de redes definidas por software (SDN - Software Defined Networks) corresponde a um novo conceito tecnológico que permite que as redes de telecomunicações sejam programadas por software, a partir de um controlador central, por oposição ao conceito atual em que o controlo de cada nó de uma rede de telecomunicações é efetuado através da programação de funcionalidades residentes no seu hardware local. Desta forma, a programação e controlo de cada um dos nós de uma rede passam a ser efetuados a partir de pontos centrais, utilizando software a correr em servidores comerciais, deixando essas funções de estar residentes no hardware proprietário que, hoje em dia, é utilizado para implementação dos nós de rede. Esses nós de rede poderão passar a ser construídos através de hardware bastante mais simples e padronizado, cuja função será simplesmente o encaminhamento da informação que chega a cada nó de rede pela aplicação de tabelas de encaminhamento que lhe são fornecidas a partir dos controladores centrais, deixando o hardware do nó de rede de ter qualquer intervenção na construção ou atualização dessas tabelas.

As implicações deste novo conceito tecnológico são tantas e tão profundas, que ele corresponde a uma verdadeira mudança de paradigma em termos da forma como são construídas e operadas as redes de Telecomunicações, permitindo a evolução das atuais redes orientadas à tecnologia e aos protocolos de rede, para redes orientadas aos serviços e ao utilizador.

Dentre essas implicações, destacaria as seguintes:

1) Virtualização da rede, através da possibilidade de passar a executar muitas das funções de uma qualquer rede de Telecomunicações de uma forma virtualizada, ou seja, através de software a correr em servidores comerciais localizados em centros de dados, simplificando por essa via a operação dessas funções de rede, que passam a ter uma gestão centralizada e uma escalabilidade assegurada por simples parametrizações de software em lugar de difíceis e dispendiosos upgrades de hardware.

2) Novos modelos de negócio, tais como o "Network-as-a-Service", que passam a ficar disponíveis a partir do momento em que as funções de rede podem ser virtualizadas e a própria rede pode passar a ser disponibilizada num modelo de cloud computing, em que o utilizador paga em função da utilização que dela faz, tal como já hoje em dia acontece com os servidores e o storage.

3) Maior facilidade e rapidez no lançamento de novos serviços, dado que a partir do momento em que as redes passam a ser definidas por software, reduzem-se os constrangimentos ao lançamento de novos serviços impostos quer pelos limites de escalabilidade da rede quando baseada em hardware, quer pelas limitações impostas pelos protocolos de rede na sua adaptação aos diferentes tipos e quantidades de tráfego que possam ser requeridos por novos e múltiplos serviços. A transição para redes definidas por software permitirá reduzir fortemente ou até, eliminar, estes constrangimentos, aumentando a rapidez com que as redes podem ser adaptadas aos requisitos de novos serviços e viabilizando a mais rápida criação, aprovisionamento e entrega de novos serviços aos utilizadores.

Fibra | Que parceria é que a NEC tem com a PT e para que serve?

JPF | A NEC estabeleceu com a PT um acordo de colaboração, com vista à avaliação da virtualização de redes em centros de dados e redes de operador, com base na tecnologia SDN.

Este acordo irá permitir que ambas as empresas testem e avaliem a viabilidade comercial e os benefícios resultantes da utilização de SDN nos centros de dados de um Operador. A NEC e a PT irão implementar a solução SDN com base nos comutadores e controlador da série "Programmable Flow" da NEC e irão testar a sua capacidade para superar os desafios económicos e operacionais das arquiteturas de rede tradicionais.

Fibra | Em termos de marketing quais são os eixos fundamentais da estratégia da empresa em Portugal?

JPF | Em Portugal, o negócio da NEC está focado no segmento empresarial, pelo que a sua atividade de marketing segue uma lógica B2B. Nesse sentido, os produtos, os canais de venda e a comunicação da empresa visam satisfazer as necessidades de negócio das empresas nacionais, com foco nos produtos e soluções anteriormente referidos, e nos segmentos de mercado dos operadores de telecomunicações e sector público.

Fonte: Fibra

 

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