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Business Intelligence é ferramenta contra o risco no negócio

terça, 06 novembro 2012 13:07   João Almeida, Capgemini Portugal

Joao almeida - capgemini - peq“Os acionistas não estão dispostos a perdoar erros de gestão e os líderes não estão predispostos a correr esse risco. A alternativa é fundamentar as suas decisões com dados concretos e objetivos e isso só pode ser conseguido de uma forma”: com Business Intelligence. A convicção é de João Almeida, vice-presidente da Capgemini Portugal.

 

Em entrevista ao Fibra, explica a importância da informação – e do uso que se lhe dá – para o negócio:

Fibra | Em que consiste o Business Intelligence?
João Almeida | O termo Business Intelligence nasce nos anos 80 e pode ser definido, em traços gerais, como a aptidão de uma organização para capitalizar todas as suas capacidades e convertê-las em conhecimento. Na prática, são programas que recolhem informação operacional, residente nos sistemas de informação, que a estruturam e agregam de forma a produzir dados relevantes para a gestão (ou a tomada de decisões da gestão), seja pela alta direção das empresas ou a nível mais operacional. Pode ser encarado como um sistema de apoio à decisão. Atualmente, o que notamos é que a forma como os sistemas de informação foram montados criam à gestão o ónus de investigar, com detalhe, a causa que levou a determinado resultado. De igual forma, pela agregação de dados, há ocorrências relevantes que passam despercebidas, porque estamos a falar de um manancial de informação enorme. Esse grande volume de dados (Big Data é o termo indicado), quando corretamente agregado e analisado, pode levar ao desenvolvimento de novas oportunidades. Identificar esses “oceanos azuis” e, posteriormente, implementar uma estratégia eficaz pode significar uma vantagem competitiva para essa organização. Hoje, associamos este termo a sistemas de monitorização e alarmística que se ativam sempre que certos eventos pré-determinados ocorrem. Trata-se de Business Intelligence em tempo real, em que informação relevante para a gestão chega no preciso momento em que é necessário tomar uma decisão ou desencadear um conjunto de acções, seja para alavancar nessa ocorrência, seja para evitar que um problema tome outra dimensão.


Fibra | Big Data é um serviço/ferramenta de Business Inteligence ou são conceitos sinónimos?
JA | Na minha opinião, são conceitos diferentes e não devem ser confundidos. Big Data é um termo geralmente usado para descrever um enorme volume de dados não estruturados e semi-estruturados que uma empresa cria ou que com ela se relaciona. Estamos a falar de informação em documentos diversos, como texto ou powerpoint, documentos digitalizados e todos os dados referentes à empresa, como por exemplo o que circula nas redes sociais. Sem a tecnologia actual, carregar e analisar estes dados consumiria enormes recursos (tempo e dinheiro) e seria pouco exequível. O conceito de Business Intelligence está relacionado com toda a informação que circula na empresa e com base em critérios de relevância para a gestão poder fazer uso dessa informação. Este conceito é especialmente relevante numa altura em que termos de compliance e business etics podem prejudicar, de forma irreversível, o negócio.

Fibra | Porque é que é importante para as empresas?
JA | De uma forma simplista seria como pilotar um avião sem instrumentos de voo (Business Intelligence) e não cruzar os dados que o aparelho fornece com os inputs que vêm de fora, como por exemplo a informação dos controladores de voo (que funcionariam como os dados de Big Data).

Fibra | Quais os fatores críticos de sucesso para o Business Intelligence ser eficaz?
JA | Uma correta definição da informação do que é verdadeiramente crítico para o negócio e que, aos diversos níveis da organização, os destinatários devem receber em tempo real para que consigam, eficazmente, atuar sobre as causas.

Fibra | Qual o impacto desta “disciplina” nos resultados das organizações?
JA | Essa leitura é demasiado simplista, uma vez que não é uma questão de impacto nos resultados. O que estamos, concretamente, a falar é da diferença entre saber, atempada e factualmente, o que se passa no meu negócio ou atividade, não dando espaço a que se evoque o desconhecimento de factos (miss management). Vamos supor que existem duas organizações exatamente nas mesmas condições e com o mesmo nível de informação, o que faria a diferença seria o management (bad or good management). De uma forma muito prática podemos resumir as coisas desta forma: importante é termos a informação, crucial é o que fazemos com ela.   

Fibra | As empresas portuguesas usam o Business Intelligence e o Big Data? Quais os sectores que mais recorrem ao serviço?
JA | Nota-se, de facto, um crescente interesse das organizações nestes conceitos. Isso, aliás, está espelhado nas conclusões do estudo “Economist Intelligence Unit”, realizado pela Capgemini junto de 600 executivos de todo o mundo. A investigação apurou que dois terços dos executivos classificam a sua organização como data driven (a informação estratégica – de mercado, clientes, concorrência – é cada vez mais crucial para a atividade empresarial); São cada vez mais raros os gestores que tomam decisões baseadas, unicamente, em intuição e experiência; 65% dos executivos tomam atos estratégicos de negócio com base em “hard analytic information”; Mais de metade das empresas (58%) pretendem aumentar o investimento em Business Intelligence durante os próximos três anos. Em Portugal, os sectores que, atualmente, se mostram mais interessadas são da área financeira, utilities e retalho / grande consumo.

Fibra | Na sua maioria, têm departamentos próprios ou contratam especialistas externos?
JA | Assistimos a um mix. O trabalho de análise do que deve ser a informação relevante para a gestão (análise top-down) é geralmente feito em colaboração com entidades externas. Isto porque o diagnóstico do que são dados críticos deve envolver a massa crítica da organização mas, posteriormente, todo o trabalho de análise, agregação e tratamento de dados tem de ser feito por especialistas e a maioria das empresas não dispõe desses recursos internamente.

Fibra | É uma ferramenta importante em qualquer processo de exportação, por exemplo?
JA | Entre muitos outros, sim. Imagine-se um sistema que recolhe notícias de clientes da empresa no exterior. Um anúncio de maus resultados de um cliente pode ser uma indicação para as cobranças estarem mais atentas. O contrário, a notícia de expansão geográfica, pode desencadear uma oportunidade.

 

Fibra | Como é que a Capgemini actua nesta área e quais as suas propostas?
JA | A Capgemini é líder nesta área e actua ao nível da assessoria e consultoria dos seus clientes no tema de Business Intelligence e Big Data. Podemos agrupar a nossa oferta em quatro grandes áreas: Aquisição de informação, Armazenamento, Análise e Acção. Ou seja, o levantamento de fontes relevantes de informação, a definição da arquitetura tecnológica (base de dados, sistemas in-memory, os problemas de governo e qualidade de dados, a forma de armazenar – estruturados não estruturados), acessos, segurança e privacidade e definição de qual, como e quando a informação vai criar valor para a organização. Para além disto, adicionamos um tema de importância crescente que é a forma das empresas se relacionarem com os social media (“Querem estar presentes e de que forma?”).

Fibra | Quais as perspetivas de evolução do mercado do business intelligence a nível global?
JA | As indicações que temos, muito assentes nas conclusões do estudo Economist Intelligence Unit, divulgado este ano, é que o Business Intelligence e o Big Data são temas em crescente visibilidade para a alta-direção das empresas. Como referimos, mais de metade das organizações estão a planear aumentar o investimento nesta área nos próximos três anos. Esta intenção não nos surpreende. Todos os dias abrimos os jornais e assistimos na televisão a empresas a fechar, deslocalização de operações, oportunidades de mercado que surgem (“quase”) do nada… Tudo isto implica a tomada de decisões de gestão cruciais para a vida das empresas, dos seus stakeholders e, principalmente, do seu líder. Será que, nos dias de hoje, um líder de uma organização se sente confiante a tomar uma decisão estratégica de negócio com base, “apenas”, na sua experiência e sentido empresarial? Dificilmente. Os acionistas não estão dispostos a perdoar erros de gestão e os líderes não estão predispostos a correr esse risco. A alternativa é fundamentar as suas decisões com dados concretos e objetivos e isso só pode ser conseguido de uma forma…

Fonte: Fibra

 

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