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Motivações políticas vão liderar ataques informáticos

quarta, 05 setembro 2012 17:04   Jesús Sánchez-Aguilera, McAfee Ibérica

Jesús Sánchez-Aguilera Director General McAfee IberiaOs ataques desencadeados por motivações políticas ou de notoriedade vão liderar os ciberataques, com personalidades públicas, serviços bancários e serviços públicos essenciais a serem também visados pelos hackers. É esta a leitura que o diretor-geral da McAfee Ibérica, Jesús Sánchez-Aguilera, faz das tendências em matéria de segurança informática.

 

Em entrevista ao Fibra, Sánchez-Aguilera fala ainda da estratégia e do posicionamento da empresa de segurança informática nos mercados português e espanhol:

Fibra | Que prioridades definiu quando assumiu as funções de diretor-geral para Espanha e Portugal?
Jesús Sánchez-Aguilera | A região ibérica teve sempre uma posição de relevância dentro do contexto da McAfee, tanto no que concerne a resultados como no tipo de projetos desenvolvidos. Por isso, o primeiro ponto a considerar é o facto de contar com uma equipa experiente e com um profissionalismo comprovado para enfrentar os desafios que surgem na situação atual de cortes e na procura da eficiência para tentar fazer mais com menos.
Perante este cenário, a primeira coisa a fazer é escutar os nossos clientes, as suas necessidades e apresentarmo-nos como um elemento de ajuda no caminho para a otimização da gestão de segurança. A McAfee tem uma proposta de solução diferencial e o principal objetivo junto dos clientes empresariais é que nos vejam como um parceiro global, que não só protege um dos seus ambientes (tradicionalmente o endpoint), mas também permite uma gestão integrada através da interoperabilidade de tecnologias distintas, próprias e de terceiros. Isto permite à McAfee ganhar maior relevância junto destes clientes, enquanto lhes permite eficiência na gestão, assim como uma poupança notável nos custos de operação e de manutenção da infraestrutura tecnológica.
Nos segmentos de Mid-Market e PME as soluções SaaS, juntamente com os produtos orientados para estes segmentos, devem permitir-nos aumentar a nossa presença nestes segmentos, já de si relevantes. Fazem parte dos nossos objetivos consolidar e fortalecer a nossa rede de parceiros, peças chave na estratégia comercial da McAfee, aumentando não só as suas capacidades de venda, mas também a implementação das nossas soluções. Acreditamos no trabalho de equipa para oferecer o melhor serviço aos nossos clientes nos diferentes segmentos, sendo para isso necessária uma simbiose perfeita entre cliente, parceiro e McAfee em cada um dos segmentos de mercado.

Fibra | Existe uma estratégia única ibérica ou estratégias separadas para cada um dos países?
JSA | Em linhas gerais, as necessidades de segurança são cada vez mais globais e uniformes entre regiões distintas, uma vez que as ameaças às quais é preciso fazer frente também são assim. Portanto, numa perspetiva de oferta de soluções, não falamos da estratégia de Portugal ou de Espanha, ou inclusive de uma estratégia Ibérica face ao resto da Europa.
Na verdade, existem nuances na forma como aproximamos a nossa proposta de solução em função do contexto de cada um dos mercados, que podem apresentar diferentes estágios de maturidade na adoção de diferentes tecnologias, ou diferentes obrigações às quais é necessário dar resposta (refiro-me a aspetos legais, de normas…).
Por outro lado, Portugal e Espanha partilham por estes dias situações análogas marcadas por restrições económicas percebidas pelo consumo destas soluções de segurança, pela capacidade de investimento e controlo das despesas.
Em linhas gerais, não posso falar de diferenças notáveis na estratégia que estamos a seguir em Portugal e em Espanha, marcada pela ajuda prestada aos nossos clientes para dar resposta às suas necessidades, de uma forma eficiente tanto no que respeita aos resultados como aos custos.

Fibra | Qual a posição da McAfee no mercado da segurança informática em Portugal?
JSA | Diria que a McAfee mantém uma posição relevante nos diferentes segmentos, desde as grandes contas ao mercado de consumo.

Fibra | Que conhecimento existe do utilizador português de internet? Tem preocupações suficientes com a segurança ou, pelo contrário, é imprudente?
JSA | Vivemos num ambiente completamente conectado e a Internet chega praticamente a todos os cantos e a todas as pessoas. Neste sentido, vejo o utilizador português como um utilizador familiarizado com as novas tecnologias e considero que dentro de um nível de prudência razoável. Se analisarmos as empresas, devo afirmar que o grau de profissionalismo encontrado em muitos dos clientes com os quais colaboramos está em níveis muito altos.

Fibra | Quais as principais tendências a nível das ameaças informáticas?
JSA | Os nossos laboratórios McAfee Labs preveem que os ataques impulsionados por motivações políticas ou notoriedade vão encabeçar a lista, incluindo os ataques industriais de alto perfil, demonstrações de ciberguerra e ataques hacktivistas contra personalidades públicas. Durante 2012 vai aumentar o spam “legítimo”, as ameaças aos serviços bancários em dispositivos móveis, ao dinheiro virtual e ao hardware integrado.
Água, eletricidade, gás e combustível são essenciais às nossas vidas diárias e, contudo, os sistemas industriais não estão preparados para os ciberataques. Muitos dos ambientes implementados nos sistemas SCADA (controlo e supervisão de aquisição de dados) não têm práticas de segurança rígidas. Tanto que num incidente recente dirigido às empresas de águas dos Estados Unidos os cibercriminosos aproveitaram a falta de preparação com maior frequência e êxito do que em 2010, ainda que seja apenas para chantagear e extorquir em 2012.
2012 é o ano no qual o Anonymous se reinventará a si mesmo ou desaparecerá. Além disso, os que lideram as interrupções digitais e de serviço unirão as suas forças e dirigir-se-ão a figuras públicas, como políticos, empresários e juízes mais do que nunca.

Fibra | É possível antecipar essas tendências e desenvolver produtos preventivos ou a intervenção é sempre de combate às ameaças?

JSA | A abordagem é sempre de combate às ameaças, numa perspetiva de antecipação aos possíveis impactos de maneira a que estes sejam neutralizados ou minimizados. Neste sentido vemos como as tendências passam cada vez mais pela análise de comportamentos para a aproximação clássica de procura de padrões de assinaturas. Também vamos experimentar cada vez mais uma segurança embutida no desenho dos dispositivos e redes, o que nos conduz a uma segurança inteligente que permite a antecipação.
Contudo, além de produtos, adquire uma relevância crítica a informação acerca das ameaças, a sua tipologia, propagação e impacto. Na McAfee isto representa a nossa Global Threat Intelligence (GTI) que reúne toda a informação distribuída no que concerne a ameaças, reputação, e que alimenta a nossa tecnologia para adquirir um papel preventivo.

Fibra | De que modo é que a McAfee se diferencia, em termos de soluções, das empresas concorrentes?
JSA | Acho que a principal diferença é marcada pela expressão Security Connected que reflete claramente o nosso objetivo. Digamos que a McAfee reúne conhecimento e soluções para grande parte dos domínios de segurança e um ambiente de colaboração tanto entre si como com soluções de terceiros que também podemos integrar no nosso framework. Logo, eu diria que a nossa principal diferença é que não só temos produtos líderes, mas também interoperáveis para facilitar a aproximação proactiva exigida pelos modelos de ameaças atuais.
A McAfee manteve-se sempre como uma empresa dedicada em exclusividade à segurança informática e das comunicações e essa tem sido a nossa marca registada. Neste ponto, deixe-me também ressaltar a aquisição da McAfee por parte da Intel e as possibilidades que se abrem como resultado desta operação.

Fonte: Fibra

 

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