Fibra | Quais são as principais áreas de atuação da SatCab?
Martin Jahn | A Satcab trabalha em todas as áreas que envolvem o processamento e o transporte de vídeo em qualidade broadcast, seja via satélite, circuitos comutados, fibra ótica ou difusão hertziana. Fornecemos sistemas completos em regime chave-em-mão. Outras áreas de atuação incluem a distribuição de materiais e equipamentos para instaladores profissionais e a distribuição de alguns equipamentos destinados a consumidores finais, nomeadamente equipamentos para home networking.
Fibra | Quais são os principais clientes da empresa?
MJ | Trabalhamos com todos os operadores de telecomunicações e TV por cabo no país. Outros clientes para sistemas chave-em-mão são hotéis e entidades que gerem redes comunitárias. Os materiais de instalação são vendidos diretamente às principais empresas de construção de infraestrutura de telecomunicações. Para os produtos destinados ao consumidor final, trabalhamos com lojas de retalho e grandes superfícies.
Fibra | Que inovações tecnológicas é que a empresa introduziu em Portugal?
MJ | A Satcab teve sempre o empenho de ficar à frente do mercado em termos de inovação tecnológica. Ao longo de 15 anos de história, apontaria os seguintes produtos e projetos: o primeiro sistema de multiplexagem estatístico para a TV Cabo; sistema completo para proteger a distribuição da Sport TV, incluindo caixas descodificadoras para clientes por cabo; estações de cabeça de 70 canais para transmissão de TV em projetos de fibra. Em termos de quota de mercado, conseguimos cerca de 80% nos operadores de cabo e 100% dos operadores que oferecem TV analógica nas redes de fibra GPON [Gigabit Passive Optical Network];Os primeiros codecs IP TV e sistema IP TV interativo para Hotelaria.
Fibra | A empresa já trabalhou com países estrangeiros. Tem alguma delegação em alguns desses países? Que planos é que existem para a internacionalização?
MJ | A Satcab exerceu atividades internacionais desde o início, como distribuidor EMEA de antenas Patriot (empresa entretanto extinta). Através da Patriot executámos serviços profissionais em países africanos, no Médio Oriente e na Europa e fornecemos antenas de satélite e acessórios a clientes situados na região Europa, Médio oriente e África. As relações mais estreitas e mais contínuas, no entanto, são as que mantemos com os PALOP e temos uma pessoa dedicada exclusivamente a estes clientes. Neste momento ainda não dispomos de delegações locais, mas já estivemos a equacionar esta hipótese.
Fibra | A SatCab é sobretudo uma distribuidora de equipamentos e fornecedora de soluções. Tem alguma ligação à I&D nacional e/ou estrangeira?
MJ | Embora não estejamos envolvidos em nenhum programa formal de I&D, temos colaborado de forma espontânea e informal em vários projetos de desenvolvimento que foram executados pelos nossos parceiros tecnológicos. É o caso, a título de exemplo, dos dispositivos para monitorizar redes de fibra e cabo ou do desenvolvimento de produtos específicos para o mercado português.
Fibra | A SatCab é uma das pioneiras na área da distribuição de equipamentos para telecomunicações em Portugal. Como é que se adaptou à evolução que ocorreu nos últimos anos?
MJ | Como já foi referido anteriormente, o nosso objetivo não é ser seguidor mas sim vanguardista da tecnologia. Apostamos na televisão sobre IP quando a maior parte das empresas que depois se posicionaram como “main player” ainda acharam esta forma de transmissão desnecessária e impossível. Promovemos as redes de fibra, seja para operadores como em projetos comunitários, ainda em finais dos anos 90. Felizmente, Portugal tem sido nos anos 2000 a montra tecnológica para o resto do mundo. E isto foi benéfico para nossa empresa, como líder tecnológico como também para as muitas outras empresas que depois foram criadas para o fornecimento em massa. A nossa principal preocupação é manter-nos na liderança, ou seja, continuar a estar atentos ao desenvolvimento tecnológico e promover aquelas inovações que achamos mais competitivas para o nosso mercado.
Fibra | Qual o segmento de negócio mais importante para a empresa? Vai manter-se assim?
MJ | Tentamos ser uma empresa bem diversificada, isto nos permite sobreviver também em anos de retração do mercado. Em termos concretos, a redução das margens nos materiais de distribuição levou a uma redução relativa da importância desta área de negócios no nosso portfólio.
Por outro lado, temos verificado um aumento considerável na procura de serviços profissionais, seja de engenharia como de suporte técnico. Já desde 2007 que mantemos uma equipa de assistência técnica que opera em regime de 24 horas por dia e que faculta aos nossos clientes uma poderosa ferramenta online.
Fibra | Que novidades é que a empresa pode anunciar para o mercado nacional nos próximos tempos?
MJ | Para 2012 estamos a prever ainda mais desenvolvimentos nas áreas de triple screen (“TV em todos os ecrãs”) e, também, no dLAN. Contamos também com lançar os primeiros codecs que suportam os formatos de compressão da próxima geração, tais como o MPEG DASH, ou a resolução 4K, de ultra alta-definição. No entanto, haverá pequenas inovações menos “visíveis” em muitas outras áreas. Por exemplo, estamos a comercializar as primeiras centrais equipadas com gestão através de webrowser e protocolos de monitorização e controlo até agora reservados para os equipamentos destinados a operadores.
Na área das estações de cabeça broadcast, estamos a implementar soluções de gestão integrada e novos formatos de compressão. A compressão JPEG2000, que há 5 anos ainda era considerada exótica, permite a transmissão de eventos desportivos sem grandes atrasos e qualidade visual muito melhor – pelo menos até ao estúdio e do estúdio até ao operador de TV por cabo ou IPTV. Depois é o operador que decide a qualidade que transmite nas suas redes de distribuição.
E, claro, também estamos a trabalhar em soluções TDT. Não só porque vemos que o mercado está a subestimar completamente o potencial desta tecnologia, privilegiando somente quantidade e baixo preço – seja nos recetores ou nas antenas de interior de casa – o que levou a que as pessoas já não acreditem na TV digital, vendo tantos ‘soluços’ e imagens congeladas nos seus televisores novos. Contrariamente ao que parece ser a tendência do mercado, privilegiamos para a TDT soluções de qualidade, que passam por uma renovação dos equipamentos de receção e da infraestrutura, e acreditamos numa convergência TDT e Internet TV.
Fibra | O perfil da empresa parece ser mais B2B do que B2C. Esta forma de estar no mercado pode mudar?
MJ | As opções B2B e B2C não são contraditórias. É verdade que fomos desde sempre uma empresa B2B e somente através da gama de produtos para home networking fizemos uma aproximação ao B2C, embora não façamos, e não tencionamos fazer nunca, transações comerciais diretas com consumidores finais. Em termos de estrutura da empresa e da logística, as diferenças de B2B e B2C são consideráveis. Mas apostamos na colaboração com nossos parceiros comerciais, que sabem lidar no mercado B2C.
Fonte: Fibra




A Satcab, empresa que fornece sistemas para todas as áreas que envolvem processamento e transporte de vídeo em qualidade broadcast, teve sempre o empenho de ficar à frente do mercado em termos de inovação tecnológica, diz ao Fibra, o diretor geral da empresa, Martin Jahn, que considera Portugal tem sido, nos anos 2000, “a montra tecnológica para o resto do mundo”.


