Fibra | O vosso core é a segurança informática?
João Beato Esteves | O nosso core é a segurança e para nós o conceito de segurança é um pouco mais abrangente. Para muitas empresas a segurança é o malware: “tenho malware nos meus dados ou não...”. Para nós é isso, mas é também a disponibilidade dos mesmos dados. Para nós a segurança é não só saber que os meus dados não têm malware, mas também saber que eu os tenho disponíveis. A segurança é a gestão e a proteção da informação. E a visão que tem hoje a companhia é de que os dois ativos mais importantes de qualquer organização são pessoas e informação. Nós hoje consideramos, e somos reconhecidos, como a maior empresa do mundo de software de segurança.
Fibra | Qual o peso da subsidiária portuguesa no global da Symantec?
JBE | A companhia tem algum equilíbrio nas três regiões onde está (Américas, EMEA e Ásia-Pacífico). Há mais ou menos uma distribuição relativamente equitativa, o EMEA tem um bocadinho mais do que a Ásia-Pacífico. Dentro do EMEA, nós estamos numa região que é a região mediterrânica que engloba Itália, Espanha, Israel, Grécia e Portugal. Nesta região temos um peso de acordo com a nossa dimensão e que tem vindo a crescer. Desde 2008 até 2011 crescemos 2 dígitos em cada ano. Um crescimento vertiginoso e muito superior àquela que será a tendência do mercado e da Symantec. Internamente dizemos que temos muito wide space a conquistar...
Fibra | Que objetivos para Portugal em 2012?
JBE | Temos um ano fiscal desfasado do ano civil: o nosso ano é de abril a março. Portanto, nós estamos a fechar o nosso fiscal year ’12, que termina a 30 de março. Dia 1 de abril iniciamos o fiscal year ’13, que vai acabar em 2013. Ou seja, nós não temos os objetivos completamente fechados, mas na prática nós vamos ter um objetivo de evolução e crescimento. Eu diria que vai ser um crescimento mais modesto, embora eu não consiga dizer a percentagem ainda... Mas seguramente temos a noção que não vamos conseguir manter o ritmo de crescimento de dois dígitos que temos vindo a manter e as razões são óbvias. A conjuntura em que vivemos, a questão dos financiamentos... Na prática, eu penso que as oportunidades continuam a existir, inúmeras, mas obviamente assistimos hoje a um ciclo de decisão mais lento e basicamente um delay nas oportunidades. Apesar de tudo, nós estamos optimistas. Conscientemente optimistas. Achamos que o ano de 2012 é um ano que vai ter uma série de vectores. Um deles vai ser o cost saving, as empresas vão estar cada vez mais preocupadas com os custos, até porque vão ter redução de budget. Qualquer empresa que tente vender uma solução vai ter de ter um retorno do investimento associado. Sem esse retorno, o tempo do “nice to have” acabou.
Fibra | Este ano o crescimento provavelmente não será tão grande como no ano passado... Qual é a perceção que tem da contração do mercado?
JBE | A contração é enorme, pela redução de budget.
Fibra | Têm perdido muitos clientes?
JBE | Não. Tem sido um fenómeno inverso, nós temos conquistado uma série de clientes. Eu diria que a dinâmica que tem hoje a Symantec contrasta com muitas empresas que estão a desinvestir em Portugal ou que não estão sequer presentes e, portanto, nós temos continuado a conquistar contas e clientes a concorrentes. Agora o que nós assistimos é a algo muito duro que é a procura da eficiência, que é “fazer mais com menos”. Tive um cliente que me disse: “tenho uma redução no budget de 60%”. Nós estamos a assistir a uma contração para a redução de budget à equipa, a um fenómeno em que só se faz um projeto com retorno no investimento e estamos a assistir a um delay de decisões. Começamos hoje a descobrir que, muitas vezes, para algum tipo de soluções, há quase um hiato entre a área informática de uma empresa e a administração. Muitas vezes a linguagem não é a mesma. A informática até pode comprar a ideia, mas não tem capacidade de vender a mesma.
Fibra | Diz-me que o mercado está contraído, mas a Symantec tem vindo a ganhar clientes. O que vos distingue da concorrência? O que é que faz uma pessoa escolher a Symantec?
JBE | Não é um truque, eu diria que é a aposta que a companhia fez no país e que arranjou uma equipa multidisciplinar e tem os parceiros certos. É também fruto de um portefólio vasto e líder. É, digamos, fruto de haver uma lacuna muito grande no mercado português. Na segurança, em particular, há uma lacuna enorme. Há necessidades explícitas e manifestas e daí talvez contribua o facto de a Symantec ter sido, até à data mais ágil, mais dinâmica, mais agressiva na sua movimentação no mercado. Nós dizemos que “de manhã vestimos o fato de macaco e à noite o smoking”. Temos uma equipa multidisciplinar que trabalha muitas horas por dia e há o espírito de “não estamos a brincar, não estamos a perder tempo e vamos diretamente avançar de forma objetiva, franca e aberta”. Portanto, à medida que nós começamos a tocar os clientes, a tocar os parceiros, cria-se aqui um efeito de escala, de multiplicação. Hoje, em relação à maior parte dos nossos concorrentes diretos, alguns desapareceram em Portugal e outros estão a reduzir as estruturas. Mas nós temos vindo a aumentar.
Fibra | Referiu que Portugal tem muitas necessidades ao nível de segurança, que necessidades são essas?
JBE | Portugal, em praticamente todas as áreas, tirando as grandes contas que terão soluções obviamente adequadas, tem uma lacuna enorme. Sem querer ser injusto, porque eu acho que Portugal tem excelentes profissionais IT, temos empresas que estão na vanguarda, mas de alguma forma, a nível empresarial, mais no midmarket, há alguma iliteracia informática, muito no end user que faz um homebaking... Eu acho que hoje as empresas têm uma dificuldade na classificação da informação, há empresas que hoje dizem: “sei que tenho necessidade de garantir que os meus dados confidenciais não saem”. O ponto é “o que é que são os dados confidenciais?” É aquilo que tem a palavra confidencial? É a folha de salários? Eu acho que é um trabalho a fazer nosso e dos nossos partners para ajudar as empresas a este nível. Eu penso que muitas empresas continuam a pensar: “tenho um antivírus, está tudo bem, posso estar a navegar, tenho a minha equipa toda à vontade”.
Embora os portugueses gostem de ter o último grito em gadgets, e adoramos ter o último telemóvel, o último iPad, mas de uma forma geral, a área empresarial funciona um bocadinho com a história “depois de casa roubada, trancas à porta”. Ou seja, não são muitas as entidades que têm uma visão clara de política de proteção de dados. Uma vez mais digo, as maiores entidades têm essa noção, obviamente que sim, mas eu diria que o layer abaixo não tem muito bem noção e só quando acontece algo é que depois reage. Hoje há muitas pessoas a perder portáteis que não estão encriptados, há muito software malicioso a entrar nas companhias.
Fonte: Fibra








