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Big data, portos e a Glintt

sexta, 18 julho 2014 17:29   Hugo Metelo Diogo, R&D Diretor da Glintt

Hugo Metelo Diogo, R&D Diretor da GlinttOs portos modernos são cada vez mais competitivos, tendo a missão de se desenvolverem comercialmente e, em simultâneo, gerar valor às empresas do seu cluster portuário sendo, por isso, os principais drivers do desenvolvimento dos territórios onde se inserem, criando emprego direta e indiretamente e atraindo investimento.

É para promover essa competitividade que existe o "Portopia Service Cloud". Hugo Metelo Diogo, R&D Diretor da Glintt, explica ao Fibra a sua utilidade para a gestão dos portos. Uma das empresas do grupo português, a Glintt Inov, lidera a componente tecnológica de onde resulta este serviço.

Fibra | Porque é que o "Portopia Service Cloud" é diferente do que já existe no mercado?

Hugo Metelo Diogo | O "Portopia Service Cloud" é um dos resultados do projeto PORTOPIA (www.portopia.eu), que consiste num projeto bandeira europeu de investigação e desenvolvimento financiado pelo Sétimo Programa Quadro (FP7). Trata-se de um desafio endereçado por um consórcio de 12 parceiros internacionais, entre os quais a Glintt Inov que lidera a componente tecnológica de onde resulta o "Portopia Service Cloud".

Esta cloud de serviços alavancada sobre as potencialidades do big data, confere processos avançados de recolha e sistematização de dados estruturados e não estruturados sobre os quais são aplicados modelos analíticos para avaliação da performance em tempo real de cada porto baseado em KPI's. Adicionalmente, esta plataforma potencia a capacidade de tomada de decisão dos decisores portuários, uma vez que, dispõe de ferramentas de benchmarking e modelos de forecast sobre as diferentes perspetivas multidimensionais relacionadas com a economia portuária.

Atualmente, não existe nenhum serviço que disponha destas potencialidades de forma eletrónica. No atual estado de arte, os portos dependem dos resultados dos estudos e dos dados de plataformas como o Eurostat que são disponibilizados com dois anos de atraso o que, na nossa opinião, é manifestamente insuficiente para cobrir as necessidades de um setor tão competitivo e tão relevante para o comércio mundial.

Fibra | Qual a sua utilidade para a gestão dos portos?

HMD | Os portos modernos são cada vez mais competitivos, tendo a missão de se desenvolverem comercialmente e, em simultâneo, gerar valor às empresas do seu cluster portuário sendo, por isso, os principais drivers do desenvolvimento dos territórios onde se insere, criando emprego direta e indiretamente e atraindo investimento.

Esta responsabilidade impacta com o desempenho ao nível da eficiência, da operação de cargas. Logo, os portos que não tenham uma capacidade de monitorizar eficazmente, quer o seu desempenho em termos individuais, quer em termos comparativos, levará a uma maior dificuldade em se posicionarem relativamente aos seus concorrentes, o que levará à perda de negócios e valor.

Deste modo, dotar os portos de instrumentos para a eficaz monitorização do desempenho, benchmarking e forecast consiste uma ferramenta vital para potenciar a assertividade da gestão portuária.

Fibra | O que esteve na origem da sua criação?

HMD | Ao longo dos últimos anos, diversos especialistas e investigadores que compõem a rede de parceiros internacionais da Glintt Inov, foram avaliando o estado da arte e tomando conta das necessidades deste setor de atividade. Este grupo de stakeholders compõe, hoje, o grupo de parceiros do consórcio do projeto PORTOPIA, tendo fornecido os insights para o desenvolvimento da referida plataforma.

Fibra | O serviço vai também ser proposto noutros países?

HMD | Atualmente o serviço está disponível para ser usado por todos os portos europeus e estão em curso as negociações para alargar aos portos africanos.

Fibra | Porque é que Glintt aposta na área da Economia do Mar?

HMD | 97% do território português está coberto por água, 75% do comércio mundial circula pela via marítima e, de acordo com a FAO dentro de 10 anos o Mar será a principal fonte de alimentação da população mundial. Portugal e a Europa definiram linhas estratégicas de desenvolvimento sustentado no potencial dos mares e dos oceanos, que se materializam naquilo a que se designa uma nova economia de crescimento azul. Torna-se, por isso, inquestionável a crescente importância da economia do mar e com ela abre-se um mundo de oportunidades para diferentes atividades económicas onde, as tecnologias de informação e comunicação terão um papel relevante.

Hoje em dia, todos os portos da Europa, Canadá e Rússia já usam tecnologia desenvolvida pela Glintt para a monitorização e inspeção de navios mercantes. Após este sucesso, a Glintt criou um centro de excelência para o desenvolvimento económico e cientifico da economia do mar que aposta em três eixos estratégicos: transporte marítimo e indústrias offshore; portos e cadeia logística; pescas e aquacultura. A aposta estratégica e os resultados já obtidos conferiram à Glintt Inov o estatuto da primeira empresa portuguesa a ser reconhecida com o estatuto de idoneidade científica para a investigação e desenvolvimento no contexto das ciências de informação aplicadas à economia do mar.

hs@briefing.pt

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